Os três níveis de sofrimento da Igreja Primitiva

Os três níveis de sofrimento da Igreja Primitiva

Uma escolha maravilhosa de termos gregos permeia o capítulo 8. Leiamos este excerto de um texto do mestre Ronaldo Lidório (com algumas adições nossas no que se refere aos termos gregos e sua pronúncia):

διωγμὸς

“No capítulo 8 de Atos o historiador Lucas inicia a narração afirmando que ”levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém” onde escolhe o termo grego διωγμὸς (lê-se diôgmós) para definir ”perseguição” o qual era largamente usado para o desenvolvimento de um programa sistemático para a opressão de um povo.

Distintamente de efistamai (ataque), a expressão diogmos é uma ação ligada ao sofrimento principalmente físico (causar dores, fazer sofrer, punir com sofrimento) portanto o quadro pintado por Lucas neste capítulo é de uma Igreja que passa a experimentar de forma física e violenta o amargo sofrimento e nas próximas sentenças ele descreve os ingredientes desta diogmos: o sepultamento de Estêvão, o aprisionamento dos fiéis e a dispersão da Igreja.

κοπετὸν

Mas Lucas, inspirado, vai além. No versículo 2 quando é mencionado o martírio de Estêvão ele relata que houve grande ”pranto”, sendo para isto usado o termo grego κοπετὸν (kopetón).

Este ”kopetos” (pranto) pode ser lido literalmente como ”bater no peito” e indica o sofrimento emocional, a dor da alma, o choro inconformado do coração. Ao lado de diogmos esta expressão apresenta uma Igreja em sofrimento físico e emocional.

O ataque vinha de diferentes lados, pois, paralelamente à opressão física como a fuga, prisões, martírio e espancamentos havia também a emocional como o medo, a insegurança, a saudade e depressão.

ἐλυμαίνετο

No versículo 3 o historiador afirma que Saulo ”assolava” a Igreja e mais uma vez escolhe cuidadosamente um termo, desta vez ἐλυμαίνετο (lê-se, elymaíneto), para demonstrar o sofrimento dos santos em Atos.

Este termo, derivado de ”lumainô”, aponta para uma assolação (destruição) não apenas física e emocional mas também espiritual e é a mesma palavra usada em João 10:10, quando lemos que o Diabo veio roubar, matar e ”destruir”.

O que temos até o momento é um retrato surpreendente e cuidadosamente pintado nos três primeiros versos de Atos 8: a Igreja enfrentando fortíssimo ataque físico (diôgmos), emocional (kopetós) e espiritual (lumainô), portanto uma igreja em profundo sofrimento.

O contexto literário aqui existente não centraliza a Igreja, mas sim o ataque a ela perpetrado, o esquema maligno que rompe sobre a comunidade de Jesus por todos os lados e a ira satânica que não deixa nenhuma frente sem oposição.

Lucas relatava que o sofrimento era real e possível entre os cristãos e que esta Igreja enfrentava uma oposição sobre humana que atacava o corpo, fazia doer a alma e tentava solapar a fé. A Igreja sofria”.

Retomamos… Via de regra, os salvos do Senhor querem uma vida de paz e conforto, mas até hoje a Igreja sofreu e muito. Entretanto, esse sofrimento nunca foi em vão ou despropositado. Deus sempre tem algo a ensinar no meio do sofrimento. Outro “efeito colateral” é transtornar o trabalho do mal para sua glória. Enquanto a Igreja fugia da perseguição “ia por toda a parte, anunciando a palavra” (At 8:4).

Texto completo em: https://ronaldo.lidorio.com.br/wp/a-igreja-perseguida/

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