Formação – EBD ADSeara https://ebd.adseara.org.br Portal da Escola Dominical da AD Seara/PE Sun, 18 Jan 2026 13:01:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://ebd.adseara.org.br/wp-content/uploads/2024/09/cropped-Logo-Seara-32x32.png Formação – EBD ADSeara https://ebd.adseara.org.br 32 32 Primogênito x unigênito: como assim? https://ebd.adseara.org.br/primogenito-x-unigenito-como-assim/ https://ebd.adseara.org.br/primogenito-x-unigenito-como-assim/#comments Thu, 15 Jan 2026 14:48:42 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1859 Ao longo da História houve grandes discussões sobre uma suposta contradição dos termos unigênito, no grego μονογενὴς (Lê-se: monoguenês) (Jo 1:18) e e, ao mesmo tempo, o primogênito, do grego πρωτότοκος (Lê-se: prôtotokos), especialmente quando a Igreja precisou responder a interpretações heréticas que surgiram rapidamente nos primeiros séculos do Cristianismo: arianismo, gnosticismo, docetismo, etc.

Definição bíblica dos termos

a) “Unigênito” (μονογενὴς)

O termo aparece principalmente nos escritos joaninos (Jo 1:14, 18; 3:16; 1 Jo 4:9). No grego, monogenēs significa “único de sua espécie”, “único em natureza”, e não necessariamente “gerado no tempo”. O termo enfatiza a singularidade da relação do Filho com o Pai, apontando para sua divindade plena e igualdade de essência (homoousios). Denota o único filho de Deus ou aquele que, no sentido em que ele próprio é o filho de Deus, não tem irmãos, nem semelhantes.

O termo grego aparece nove vezes no NT, designando um descendente único e insubstituível. Seis usos destacam o Senhor Jesus Cristo (Jo 1:14, 18; 3:16, 18; Hb 11:17; 1 Jo 4:9 ); três descrevem um filho único em situação de extrema necessidade (Lc 7:12, filho da viúva de Naim; Lc 8:42, filha única de Jairo; Lc 9:38, filho único, lunático e possesso). O duplo padrão (cristológico e familiar) interliga a revelação divina à experiência humana comum, ressaltando a preciosidade de um filho insubstituível.

b) “Primogênito” (πρωτότοκος)

O termo aparece sobretudo em textos paulinos (Rm 8:9; Cl 1:15.18; Hb 1:6). No uso bíblico (especialmente no Antigo Testamento), “primogênito” frequentemente tem um sentido jurídico e funcional, não cronológico. Indica preeminência, autoridade e herança, como em Sl 89.27, onde Davi é chamado de “primogênito”, embora não fosse o primeiro filho nascido de Jessé.

A origem da controvérsia histórica

A tensão surgiu quando alguns passaram a interpretar a frase “primogênito de toda a criação (Cl 1:15)” como se Jesus fosse o primeiro ser criado, e não eterno. Essa leitura ganhou força com o arianismo (séc. IV), liderado por Ário, que afirmava: “Houve um tempo em que o Filho não existia”. Ário aceitava o título “primogênito”, mas negava o sentido singular de “unigênito” como igualdade de essência com o Pai.

Ário foi um presbítero cristão de Alexandria, no Egito, ativo no início do século IV (256 a 336 d.C.). Baseando suas doutrinas em interpretações equivocadas dos textos de Pv 8:22, Jo 14:28 e Cl 1:15, ele ensinava que:

  • O Filho não é eterno como o Pai, nem tinha a mesma substância
  • O Filho foi criado por Deus antes de todas as outras coisas
  • O Filho é divino em sentido derivado e subordinado, não da mesma essência do Pai
  • Jesus era o maior e mais exaltado dos seres criados

Como a Igreja se posicionou?

a) Concílio de Niceia (325 d.C.)

A Igreja afirmou que (texto completo abaixo):

  • Jesus é “gerado, não criado”, portanto, procedente do Pai
  • consubstancial (homoousios) ao Pai

Isso preserva o sentido de monogenēs como único Filho por natureza, portanto, eterno.

b) A harmonização dos termos

Os pais da Igreja (Atanásio, os Capadócios, Agostinho) explicaram que:

  • Unigênito → refere-se à natureza divina do Filho
  • Primogênito → refere-se à posição, missão e obra redentora do Filho, o primeiro dentre muitos irmãos

E mais…

O próprio Jesus reafirmou sua autoexistência e eternidade e sua unidade com o Pai (Jo 8:58; 10:30; 17:21). Em João 17:5: Jesus afirma que existia antes de todas as coisas criadas. Conceito repetido em Hebreus 1:1,2.

Em Colossenses 1, Paulo deixa claro que Cristo é “primogênito” porque criou todas as coisas (Cl 1:16), portanto, não faz parte da criação, afinal se Ele tem o poder de criar, é Criador, da mesma substância do Pai. Mas há outros sentidos bíblicos nos quais Jesus é o primogênito: Ele é o herdeiro de todas as coisas (Hb 1:2), cabeça da igreja (Cl 1:17,18) e primeiro na ressurreição (Cl 1:18).

Temos ainda a declaração monumental de 1 João 5:20: “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é Verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

Depois de vários embates a Igreja oficialmente denunciou o Arianismo como uma doutrina falsa, excomungou e condenou seu autor ao exílio para Ilíria. No entanto, o Arianismo nunca morreu, mas tem se dissimulado de várias formas diferentes. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, defendem uma posição parecida com a dos arianos em relação à natureza de Cristo. Na Tradução do Novo Mundo, que é a versão da Bíblia dos TJs* eles grafam o texto da seguinte maneira:

Outras seitas heréticas também tem um entendimento semelhante. É o caso dos mórmons, para os quais Cristo não é Eterno, mas foi criado, embora exaltado.

Donde concluímos que a discussão não surgiu por contradição bíblica, mas por interpretações equivocadas dos termos. A Igreja, ao longo dos concílios e da reflexão teológica, demonstrou que “unigênito” e “primogênito” expressam verdades distintas e harmônicas sobre a pessoa de Cristo: sua eternidade divina e sua supremacia redentora.

Texto final do Credo de Niceia

Creio em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. Creio na Igreja una, universal e apostólica, reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e aguardo a ressurreição dos mortos e da vida do mundo vindouro.

Fonte do Credo: https://www.monergismo.com/textos/credos/credoniceno.htm

*Versão disponível no site oficial das TJs: https://www.jw.org/pt/biblioteca/biblia/biblia-de-estudo/livros/Jo%C3%A3o/1/

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Dicas pedagógicas – Lição 02 – Adultos 1º Trim/2026 https://ebd.adseara.org.br/dicas-pedagogicas-licao-02-adultos-1o-trim-2026/ https://ebd.adseara.org.br/dicas-pedagogicas-licao-02-adultos-1o-trim-2026/#respond Sun, 04 Jan 2026 16:45:38 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1798 Aqui vão duas dicas pedagógicas para dinamizar as aulas:

Dica 01

Distribua os 9 versículos da leitura bíblica em classe em pequenos pedaços de papel (você imprime todos e os recorta). Daí pede para os alunos memorizarem e faz com que cada um declame perante a classe. Compre pequenos brindes: um chocolate, um livreto, uma caneta, um chaveiro, um copo, um porta celular, para os que conseguirem.

Esta atividade vai manter seus alunos envolvidos com a lição durante a semana. Outra opção, um pouco mais elaborada, é fazer com que eles leiam os versículos das leituras diárias e os expliquem diante da sala. Em ambos os casos é preciso distribuir os textos com antecedência e ficar lembrando ao longo da semana.

Dica 02

Reveja com seus alunos os pontos principais da lição anterior um pouco antes de iniciar o assunto propriamente dito. Especialmente, com aqueles alunos que não estiveram presentes em sala na última aula. Este nivelamento é fundamental para que todos possam acompanhar o aprendizado de forma, mais ou menos, adequada.

Não hesite em responder questionamentos os alunos fizerem. Afinal, o tema é complexo e exige um pouco mais de conhecimentos de todos nós. E, se não souber a resposta, diga que vai pesquisar. E pesquise mesmo!

Em ambos os casos, não faça chacota daqueles que não conseguirem memorizar ou explanar os assuntos. Pelo contrário, estimule-os a participar nas próximas aulas!

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Subsídio da Lição 02 – Adultos – 1º Trimestre/2026 https://ebd.adseara.org.br/subsidio-da-licao-02-adultos-1o-trimestre-2026/ https://ebd.adseara.org.br/subsidio-da-licao-02-adultos-1o-trimestre-2026/#respond Sun, 04 Jan 2026 16:25:35 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1794 Além dos slides para apresentação da lição em sala, também disponibilizamos nosso subsídio, com comentários e adições. Leia em nosso portal ou faça o download aqui.

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A Trindade de Deus https://ebd.adseara.org.br/a-trindade-de-deus/ https://ebd.adseara.org.br/a-trindade-de-deus/#respond Mon, 29 Dec 2025 15:00:00 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1727 A doutrina da trindade não é uma verdade da teologia natural, mas sim da revelação. Strong diz: “A razão nos mostra a unidade de Deus; apenas a revelação nos mostra a Trindade de Deus”.

O mundo antigo tinha suas tríades, mas era apenas distinções místicas e teológicas em seu panteão de deuses.
Todas essas noções não tem analogia com a doutrina bíblica da Trindade; nem servem, tampouco, para explicá-la ou confirmá-la. Apesar da doutrina da trindade não poder ser descoberta pela razão humana, ela é passível de uma defesa racional agora que foi revelada.

A palavra Trindade em si não ocorre na Bíblia. Sua forma grega, Trias, parece ter sido usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 A.D.). E sua forma Latina, Trinitas, por Tertuliano (em torno de 220 A.D.). Entretanto, a crença na Trindade é muito mais antiga que isso, como mostraremos presentemente. Com Trindade queremos dizer que há três distinções eternas em uma essência Divina, conhecidas respectivamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Estas três distinções são três pessoas e, assim, podemos falar da tri-personalidade de Deus.

O credo de Anastácio expressa a crença trinitariana da seguinte maneira: “Adoramos um Deus em Trindade, e Trindade em unidade, sem confundir as pessoas, sem separar substância.” A doutrina da trindade deve ser assim diferenciada tanto do triteísmo, como do sabelianismo.

As heresias mais antigas

O triteísmo1 é uma doutrina teológica que, em oposição à doutrina cristã da Trindade, defende que Deus é composto não por três Pessoas em uma só essência (como no Trinitarismo), mas por três deuses distintos, cada um com sua própria essência, substância e independência, constituindo uma espécie de politeísmo. O termo “triteísmo” é derivado das palavras gregas tri (“três”) e theos (“Deus”), significando literalmente “crença em três deuses”. Essa visão, vista como heresia por muitas igrejas, postula que Pai, Filho e Espírito Santo são três seres divinos separados, em vez de um só Deus em três pessoas.

O sabelianismo2 surgiu no terceiro século d.C. através de Sabélio, de onde nos vem o nome de sua doutrina. Ganhou seguidores em regiões como Roma, Ásia Menor, Síria e Egito por aproximadamente cem anos. Afirmava uma Trindade de revelação, mas não de natureza. Eles também afirma sobre uma Trindade modal (de onde nasceu o modalismo), que mantém que apenas três aspectos ou manifestações de uma só pessoa.

Há, também, o swedenborgianismo (ou Nova Igreja) é uma doutrina cristã baseada nas visões místicas e escritos do cientista e filósofo sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772), que descreve uma revelação espiritual contínua, focando na divindade de Jesus Cristo como o único Deus, na importância do amor ao próximo e na vida após a morte onde as pessoas vivem de acordo com suas escolhas feitas em vida, formando o céu ou inferno com base em sua atração pelo bem ou mal, e não por um julgamento externo. Ele sustenta que o Pai, o filho e o Espírito Santo são três elementos essenciais de um Deus, que compõem um, tal como o corpo, alma e espírito compõe um homem.

Deus, afirmava, como Pai é o criador e O legislador; como filho, ele é o mesmo Deus encarnado que cumpre a tarefa de Redentor; e como Espírito Santo, ele é o mesmo Deus na obra da regeneração e santificação. Isto é, ele ensinava uma Trindade modal, diferente da Trindade ontológica.

Um certo escritor Lyman Abbott fala de uma natureza tríplice de Deus da mesma maneira que uma pessoa pode ser artista, professor e amiga. Mas isto é, na realidade uma negação da doutrina da trindade, pois estas não são três distinções na essência, mas três qualidades da mesma pessoa.

A Trindade na Bíblia

Sabemos que a doutrina da trindade é um grande mistério. Algumas pessoas a consideram um quebra-cabeças intelectual e uma contradição. Como pode haver, nos perguntam, um só Deus e, ao mesmo tempo, três pessoas na divindade?

Mais Flint3 o diz muito bem: “É verdadeiramente o mistério; no entanto é um mistério que explica muitos outros mistérios, e que esclarece maravilhosamente a Deus, a natureza e o homem”. (Teorias anti-teístas, Edinburgh: Wm. Blackwood and sons, 1899), pág. 439. A opinião que se tem dessa doutrina afeta todas as outras partes da crença teológica da pessoa e da religião prática. A doutrina é, portanto, não apenas um ônus sobre nossa credulidade, mas uma necessidade prática para uma visão verdadeira do mundo e da vida.

Até a filosofia tem tido dificuldade com o conceito de Deus como uma unidade absoluta na teoria dos Eliáticos, ela acabou transformando o mundo em uma ilusão um não ser. Platão achou necessário acrescentar a ideia de uma na multiplicidade. E os estoicos e Filo contribuíram com a ideia do logos. Mas, Como já dissemos a doutrina cristã da Trindade não é, na realidade um fruto da especulação, mas da revelação. Não poderíamos saber a respeito desta auto distinção na divindade se Deus não houvesse assim se revelado.

“A Trindade, portanto, são três pessoas eternamente inter-constituídas, Inter-relacionadas, inter-existentes e, por conseguinte, inseparáveis dentro de um único ser e de uma única substância ou essência” Champlin.

“O plural, Elohim, não é sobrevivência de um estágio politeísta, mas expressa a natureza Divina na multiplicidade de suas plenitudes e perfeições, e não na unidade abstrata de seu ser” MacClaren.

“O Pai é toda a plenitude da divindade invisível, o Filho o é da divindade manifestada, e o Espírito Santo é da divindade agir diretamente sobre a criatura” Boardman

Bases bíblicas para refutação

A doutrina da trindade é revelada progressivamente nas Escrituras. O Antigo Testamento fornece uma revelação parcial quando Deus delibera: “façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26). No Salmo 45, uma pessoa chamada Deus dirige-se a outra pessoa chamada Deus: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros” (Sl 45.6,7). O filho é chamado de Deus e, por causa de seu governo justo, um outro, chamado seu Deus, o Pai (Hb 1.8,9), fala com ele e o recompensa. No Salmo 110, uma pessoa chamada Senhor se dirige a outra pessoa chamada senhor: o senhor disse ao meu senhor: assenta-te a minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés (v.1). Deus, o pai, dirige-se a Deus, o filho (Mt 22.43,44).

O Novo testamento oferece uma relação mais completa da Trindade. No início do ministério de Jesus, Deus pai fala palavras elogiosas sobre Jesus ( Deus Filho) enquanto Deus o Espírito Santo desce sobre o que está sendo batizado (Mt 3.16,17). Na conclusão do seu ministério Jesus instruiu seus discípulos a fazerem discípulos dos povos das nações, o que inclui batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). A unicidade de Deus também enfatizada ( Rm 3.30; Gl 3.20).

As três pessoas estão envolvidas na salvação desses novos discípulos de maneiras diferentes: o Pai os elege, o Espírito os santifica e Cristo, a quem eles devem obedecer, purifica-os (1Pe 1.2). Sobre esses discípulos, o apóstolo pronuncia uma benção trinitária: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2 Co 13.14).

Os três também se engajam na missão da igreja: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1 Co 12:4-6). Essa cooperação na atividade divina embasa doutrina das operações inseparáveis da Trindade. Outras passagens mostram, semelhantemente, as três pessoas Divina agindo em comum.

Por exemplo, a missão divina é apresentada como o Pai enviando seu Filho, para que pessoas que estão alienadas dele possam se tornar filhos adotivos. “…mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” ( Gl 4.4-6).

As três pessoas se envolvem inseparavelmente da missão Divina. Teologicamente, a doutrina das operações trinitárias inseparáveis emergem de três outras doutrinas:

  • A unidade das três pessoas na natureza divina única indica que o Deus uno cria, salva e santifica;
  • A habitação mútua das três pessoas (perichoresis) significa que, enquanto o Pai trabalha, o Filho e o Espírito, que habita nele, trabalham em conjunto com ele;
  • Por compartilharem uma única natureza divina, as três pessoas têm a mesma vontade, conhecimento e poder.

Como expressou Agostinho: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, por serem indivisíveis operam de maneira indivisível.

O desenvolvimento dessa doutrina ocorreu nos primeiros séculos depois de Cristo, quando a igreja estabeleceu e expressou uma consciência trinitária. Por exemplo, a oração era trinitária, dirigida ao Pai, em nome de Jesus e por intermédio do Espírito Santo. Assim, também a adoração da igreja era dirigida a Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo. Tertuliano no ano (160-240) foi o primeiro a usar o termo Trindade para se referir a unidade dos três.

Na luta contra a heresia que negava a divindade do Filho e do Espírito Santo, a igreja convocou concílios. Um dos frutos dessas assembleias gerais foi a formulação de credos que tem uma estrutura trinitária: Creio em um só Deus Pai, todo poderoso, e em um só Senhor: Jesus Cristo e no Espírito Santo. Assim a igreja confessou sua fé no Deus tri-uno e sua doutrina se tornou uma substância. A natureza divina compartilhada igualmente a três pessoas Pai, Filho e Espírito Santo, a unidade na Trindade, como afirmou Gregório de Naziazeno (330-390 a.C.): “mal consigo sou iluminado pelo esplendor dos três, assim que eu os distingo, sou levado de volta ao um”.

Um concílio da igreja, reunida 589, inseriu uma palavra no Credo de Niceia, que havia afirmado que o Espírito Santo procede do Pai, declarando que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Esta dupla procedência do Espírito é aceita pela Igreja Católica Romana e pelas igrejas protestantes, mas rejeitada pelas igrejas ortodoxas orientais.

Ev. Marcondes Lourenço

Escritor, Teólogo e Professor da EETAD

1 O triteísmo surgiu no século VI, em Alexandria, tendo como principal formulador João Filopono, um filósofo neoplatônico e teólogo cristão da corrente monofisita, que acreditava que Cristo possuía uma única natureza divina

2 Sabélio (século III) foi um teólogo cristão, provavelmente do Egito ou Líbia, que ensinou o monarquianismo modalista, ou sabelianismo, defendendo que Deus é uma única pessoa que se manifesta sucessivamente como Pai (criação), Filho (redenção) e Espírito Santo (santificação), em vez de três pessoas distintas na Trindade. Sua doutrina, que visava preservar o monoteísmo, foi considerada herética e ele foi excomungado pelo Papa Calixto I por volta de 220 d.C.

3 Thomas PFlint é professor de filosofia e diretor do Centro de Filosofia da Religião na Universidade de Notre Dame, Estados Unidos

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Subsídio da Lição 01 – Adultos – 1º Trimestre/2026 https://ebd.adseara.org.br/subsidio-da-licao-01-adultos-1o-trimestre-2026/ https://ebd.adseara.org.br/subsidio-da-licao-01-adultos-1o-trimestre-2026/#respond Wed, 24 Dec 2025 19:18:24 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1731 Além dos slides para apresentação da lição em sala, também disponibilizamos nosso subsídio, com comentários e adições. Leia em nosso portal ou faça o download aqui.

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Você sabia que o corpo já foi considerado sagrado a ponto de não poder ser estudado? https://ebd.adseara.org.br/voce-sabia-que-o-corpo-ja-foi-considerado-sagrado-a-ponto-de-nao-poder-ser-estudado/ https://ebd.adseara.org.br/voce-sabia-que-o-corpo-ja-foi-considerado-sagrado-a-ponto-de-nao-poder-ser-estudado/#respond Wed, 08 Oct 2025 18:47:18 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1691 O estudo do corpo humano instigou questionamentos naqueles que ansiavam por descobrir o que se escondia sob nossa pele. As iniciativas, porém, esbarravam nas proibições veladas em seus aspectos religiosos e culturais na Idade Média.

Lembremos que a Idade Média é o período histórico que abrange os anos de 476 d.C. a 1453 d.C., iniciando-se com a queda do Império Romano do Ocidente e terminando com a conquista de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia, pelos turcos-otomanos.

Como o corpo era considerado perigoso, em especial o feminino, visto como um “lugar de tentações”, a abertura do corpo humano e a dissecação de cadáveres, para a mentalidade medieval, era uma ação inaceitável, um gesto de desrespeito e pecado. Outrossim, também era visto com um templo divino, uma vez aberto, restaria profanado.

Tudo mudou com Leonardo da Vinci, entre outros. O ilustre italiano desenhou mais de 1.200 órgãos e elementos dos sistemas do corpo humano e animal, em cerca de 15 anos (de 1498 a 1513) de trabalhos. Entretanto, ele não concluiu seus estudos, nem publicou seus desenhos. Outros o fizeram e, assim, pudemos descrever e descobrir doenças, estabelecer tratamentos e compreender o funcionamento do nosso corpo.

O Renascentismo se encarregou de suspender, definitivamente, as eventuais proibições. Curiosamente, as últimas palavras de Leonardo foram: “Ofendi a Deus e a humanidade, fazendo muito pouco da minha vida”. Ele faleceu na França, em 1519.

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Resultado do Estudo Dirigido – 3º Trimestre/2025 https://ebd.adseara.org.br/resultado-do-estudo-dirigido-3o-trimestre-2025/ https://ebd.adseara.org.br/resultado-do-estudo-dirigido-3o-trimestre-2025/#respond Mon, 06 Oct 2025 09:02:30 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1684 Durante o último trimestre de 2025 promovemos o Estudo Dirigido, que consiste num questionário eletrônico sobre a lição da semana. Os alunos se cadastram, respondem ao questionário e acumulam pontos. A cada mês tivemos um ganhador na parcial da pontuação.

Agora, ao final do trimestre, tivemos os ganhadores do trimestre. Foram eles: 1) Larissa da Silva Bezerra (Jardim Muribeca); 2) Moisés José Bezerra (Jardim Muribeca) e 3) Johnata Sousa de Azevedo (Sucupira Sede). O ranking está logo abaixo. A premiação foi entregue ontem e nós queremos parabenizar todos os participantes e as lideranças, dirigentes, professores, pastores e obreiros, que incentivaram seus alunos e liderados.

Deus recompense copiosamente a todos! Hb 6:10!

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Lição 04 – Uma Igreja cheia do Espírito Santo https://ebd.adseara.org.br/licao-04-uma-igreja-cheia-do-espirito-santo/ https://ebd.adseara.org.br/licao-04-uma-igreja-cheia-do-espirito-santo/#respond Fri, 25 Jul 2025 23:08:24 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1427 Seis pontos de fixação para seus alunos na lição 04:

  1. Que a Igreja deve estar constantemente avivada. Avivamento não e uma opção, nem um episódio ou evento. Avivamento é uma condição para uma igreja viva e dinâmica. Se vivemos na era do Espírito e é ele quem aviva a Igreja, então, devemos estar em constante avivamento. Tal e qual a Igreja Primitiva;
  2. Que uma igreja avivada ama a Bíblia, não tolera pecados, vive quebrantada em santidade e está sempre disposta ao serviço. Crentes que são efusivos num culto qualquer, mas apáticos ao trabalho cotidiano da Igreja, vivem numa contradição religiosa. Todo crente cheio está disponível para ser usado pelo Senhor da Igreja;
  3. Que devemos ser ousados na pregação do Evangelho. Via de regra, um crente cheio do Espírito Santo se dispõe a pregar a outrem. Ele é impactado pelo Espírito Santo e impelido a anunciar a salvação aos perdidos. E não apenas isso, é levado a amar as pessoas mais vis, não por autocomiseração, mas pelo amor que nos constrange (2 Co 5:14);
  4. Que uma igreja avivada gosta de orar. Está oração, porém, é altruísta e unânime. A tônica desta ação está em Atos 4:24, no grego citado pelo comentarista, temos a palavra ὁμοθυμαδόν (pronuncia-se, rromothymadón) que significa unânime, no sentido de um acordo, uma mente, um só ânimo. Um crente avivado ora com propósito!
  5. Que uma igreja avivada evidencia a manifestação dos dons espirituais, e a operação de prodígios e maravilhas (Mc 16:17, 18). É muito fácil dizer: ‘’Deus não quis!’’ ou ‘’Faltou fé!’’. Mais difícil é orar e ser uma igreja poderosa, mas é isso que Deus quer de nós. Uma igreja espiritual tem empatia pelas necessidades das pessoas ao redor;
  6. Que Deus não tem um plano B. Ou somos nós que seremos usados ou não há alternativa. Se não é a Igreja do Senhor, sua agência espiritual na Terra, quem será usado por ele para evidenciar o caráter de Cristo no mundo? Percebamos que Deus nunca quis refundar a Igreja, pelas falhas históricas de determinados grupos. Pelo contrário, Ele sempre reservou sete mil!

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Uma excelente aula!

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Homilética, hermenêutica, exegese e retórica: você saberia diferenciar? https://ebd.adseara.org.br/homiletica-hermeneutica-exegese-e-retorica-voce-saberia-diferenciar/ https://ebd.adseara.org.br/homiletica-hermeneutica-exegese-e-retorica-voce-saberia-diferenciar/#respond Wed, 16 Jul 2025 12:27:16 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1330 Aproveitando que o assunto é pregação, aqui vai uma breve distinção de alguns termos conexos:

Homilética

É a arte da estruturação de um sermão, dividindo o assunto em pontos e sub-pontos. Aqui nos preocupamos em esquematizar o assunto, visando a boa compreensão dos ouvintes. Via de regra, o sermão é escrito, a menos que o expositor tenha uma boa memória e consiga estruturar mentalmente sua pregação.

Infelizmente, devido a repercussões históricas, os assembleianos torcem o nariz para pregações com sermão. Ainda persiste entre nós a ideia de que tanto o assunto, quanto seu desenvolvimento devem ser dados na hora da pregação pelo Espírito Santo. Esse falso entendimento vem da repulsa que outrora tínhamos pelo estudo teológico. O contrassenso é que os que assim pensam não têm o mesmo entendimento para um hino ou jogral repetidos, por vezes, à exaustão em nossos templos.

Hermenêutica
É o exercício interpretativo em torno do texto. Quase sempre lança mão dos originais, mas se volta o contexto mais amplo no qual um texto se insere. Busca um encadeamento lógico das afirmações do autor. Intenta compreender exatamente o que determinada passagem quis dizer quando foi escrita, para recuperar ao máximo o sentido dela.

A hermenêutica é um campo riquíssimo, se bem explorada. Eventualmente, inclui matérias distintas como geografia bíblica, história, direito, economia, acompanhamento dos usos e costumes de determinada época e lugar, entre outros.

Exegese
É a utilização das línguas originais (grego, hebraico e aramaico) para alcançar (ou tentar!) o significado da palavra. Eventualmente, associa este significado ao contexto histórico no qual foi utilizada originalmente. A exegese é uma ferramenta poderosa, entretanto, não é mágica. Por vezes, alguns expositores atribuem uma grandeza orgulhosa ou um significado enviesado ou, ainda, criam-se conceitos equivocados a partir de tais significados.

É o caso da palavra amor, à qual alguns exegetas atribuíram uma padronização exagerada, utilizando ágapê como sendo, única e exclusivamente, o amor de Deus. Porém, em diversas passagens, o termo é utilizado para o amor mundano (1 Jo 2:15). Outro problema é que alguns expositores especializam-se em palavras isoladas ou mal pronunciadas (ao menos na pronúncia ática que é a mais comum), memorizadas a partir do que outros dizem.

A boa exegese busca tão somente o que está na etimologia da(s) palavra(s) estudadas. Mostrando tanto sua aplicação secular, quanto no texto bíblico. As palavras estão em constante transformação e num momento da História podem ter um sentido totalmente diverso do utilizado noutra ocasião.

Retórica
Diz respeito à exposição da mensagem, à maneira como será apresentada ao ouvinte. A retórica é a arte de falar bem, buscando persuadir e convencer o público através do uso estratégico da linguagem. É a embalagem de uma boa mensagem. Não confundir com a oratória. Que é a habilidade de falar em público de forma eficaz, clara e objetiva, visando informar, entreter ou influenciar a audiência. 

Simplificando, a retórica é a base teórica da persuasão, enquanto a oratória é a aplicação prática dessa teoria na comunicação verbal. Todos esses são exercícios mentais que dependem da prática.

Homilética, hermenêutica, exegese e retórica: você saberia diferenciar?

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A missão kerigmática da Igreja https://ebd.adseara.org.br/a-missao-kerigmatica-da-igreja/ https://ebd.adseara.org.br/a-missao-kerigmatica-da-igreja/#respond Wed, 16 Jul 2025 09:56:38 +0000 https://ebd.adseara.org.br/?p=1326 A igreja tem cerca de 2000 anos de história. É muito tempo. A realidade ao redor se diversifica e seus contornos assustam os mais desavisados. Mas, há muita coisa que não muda. E não muda porque a igreja tem alguns princípios norteadores. Estas balizas devem estar onde desde sempre estiveram.

Uma delas é a necessidade da pregação do Evangelho. Os meios até mudam. Temos hoje a pregação em áudio, vídeo, texto, imagens, etc. E há até quem já use a Inteligência Artificial para gerar sermões e pregações. Se bem utilizada não há problema. É uma ferramenta como outra qualquer. A igreja deve estar preocupada em anunciar por todo e qualquer meio a palavra de Deus (1 Co 9:22).

O vocábulo κήρυγμα (lê-se, kêrygma) que ocorre apenas nove vezes no NT (Mt 12:41; 16:20; Lc 11:32; Rm 16:25; 1 Co 1:21; 2:4; 15:14; 2 Tm 4:17; Tt 1:3) e significa pregação, proclamação, mensagem pregada, está interligado com o verbo κηρύσσω (lê-se, kêryssô e ocorre 61 vezes no NT*) pregar, anunciar, proclamar. Sempre com o contexto de algo importante a ser dito.

No grego antigo se referia à proclamação pública feita por um arauto em nome de um soberano. Tais declarações solenes se incorporaram ao corpo doutrinário da Igreja que, desde sempre, deu valor à pregação. Isso quando nem mesmo havia um púlpito nos moldes que o conhecemos!

Por esta razão, entre outras, devemos encarar com total seriedade a pregação do Evangelho em nossas igrejas. Afinal, estamos falando de Deus a pecadores perdidos, com a única mensagem que pode salvá los! Ou seja, é a mensagem do Evangelho ou mais nada!

* www.biblehub.com

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